Coleção de Momentos

Momentos de julho

Porque a memória falha, guardo nas palavras um pouquinho do que vivi este mês.

Fomos de férias. Cinco horas de carro porque parámos em todas as áreas de serviço para esticar as pernas, fazer xixi e reclamar dos preços. Em Viseu conheci terrinhas e as suas pessoas. Das pessoas das terrinhas conheci as casas, as hortas, a forma leve de viver… e de ser. Apanhei ameixas da árvore, descobri que existem curgetes redondas e fiquei com vontade de tentar um morangueiro na varanda. Lanchei pão caseiro quente com manteiga, chá e castanhas assadas. Sim, em julho! Fui à praia fluvial. Entrei em igrejas e capelas, acendi velas. Vi flores lindas, nomeadamente girassóis. Observei uma águia e uma pega-rabuda. O Paulo fez anos e o bolo era gigante. Estive com gente simpática que ofereceu estadia para futuras visitas. Comi muito… muito mesmo!

Ao sair de lá deixei para trás o pouco, que é tanto. Connosco no carro veio tomates, abóboras, pepinos, cebolas, ameixas, queijos, salpicão, alheiras e lembranças para oferecer. Em mim veio um quentinho no coração.

 

Góis é uma espécie de postal feito pela inteligência artificial, mas sem o ser, o que é fenomenal. Os meus pais foram lá não há muito tempo e disseram que era lindíssimo. Não é que não acreditasse, mas agora sei pelos meus próprios olhos. É um daqueles sítios que nos tiram o fôlego. Uma zona rodeada de verde… de tons de verde que não sei classificar nem descrever de outra forma que não “uau!”.

Fátima continua no mesmo lugar e continua, também, a transmitir a mesma sensação de calma e paz. É um sítio bonito para acredita em coisas bonitas, sejam elas quais forem, desde que as suas bases sejam o amor. É um lugar que nos desarma, se nos permitirmos a isso (e vale sempre a pena nos permitirmos ser desarmados).

 

Chegámos a casa e antes de efectivamente passarmos em casa fizemos a voltinha do costume para ver o mar. Posso adorar as serras e perder-me a imaginar quanta vida nelas habita, mas falta-me sempre o mar. Ver mar, que é tão fundo para a frente e para baixo, para mim é como chegar a uma parede que me ampara, onde me posso encostar sempre que precisar de descansar.

Roupa diretamente para a máquina, pertences arrumados, lembranças separadas e eis uma árdua tarefa: comer o que trouxemos da terrinha.

 

Por cá fomos à praia, porque melhor do que ver o mar é entrar nele. Fizemos uma sesta agarradinhos no sofá ao final do dia — estavamos cansados e nem nos tínhamos apercebido. Revimos o filme Projeto Hail Mary, desta vez em casa. Fomos ao cinema ver A Odisseia. Estivemos com amigos. Vimos pores-do-sol memoráveis. Cortei o cabelo. Não usei maquilhagem — na realidade, a última vez que me maquilhei foi dia 27 de maio… e só  escrever sobre isso dava um post inteiro!

 

*

Em julho fui feliz na simplicidade. Cada vez menos quero mais e cada vez mais gosto de precisar de menos. Agrada-me a ideia de o meu bem-estar não depender de coisas fúteis, e de, aos pouquinhos, deixar de depender daquilo que eu não consigo controlar.

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